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Vereadora discriminada tem denúncia arquivada e agora é processada

Bate boca envolveu vereadora e presidente da Casa

Quase uma semana depois de bate boca entre vereadores da Câmara Municipal de Água Clara, distante 240 quilômetros da Capital, ter chamado a atenção do Estado em razão de vereadora ter sido discriminada pelo presidente da Casa, nova sessão desta segunda-feira (9) também foi polêmica. Por maioria, os parlamentares arquivaram denúncia feita pela vereadora contra o presidente e decidiram abrir procedimento de investigação contra ela.

Segundo o Portal Água Clara, foram analisadas duas denúncias, uma delas da vereadora Gerolina da Silva Alves (PSDB) contra o presidente da Casa Vicente Amaro de Souza Neto (PDT). A primeira era sobre suposta quebra de decoro parlamentar de Vicente em sessão de 11 de setembro. Denúncia foi rejeitada pelos vereadores.

A segunda era exatamente sobre a confusão da sessão do último dia 4, quando o presidente mandou Gerolina          “calar a boca” e disse ainda que ela “soltou a franga”. O próprio presidente denunciou a colega afirmando que ela disse palavras ofensivas quando falou sobre investigação do MPE (Ministério Público Estadual).

Por maioria, os vereadores aceitaram a denúncia de Vicente, por isso, comissão processante foi criada na Câmara da cidade para investigar a atitude de Gerolinda, eles irão apurar se houve quebra de decoro parlamentar, infração que pode culminar em perda de mandato.

Presidirá a comissão o vereador Elizeu da Silva (PSDB), Saylon Moraes (PDT) será o relator e Gustavo Guiraldelli (PSDB) completa o grupo da comissão.  

Confusão

Entidades ligadas às mulheres na política tem se solidarizado com a vereadora Gerolina da Silvas Alves (PSDB), que questionou o assunto e foi repreendida pelo presidente da Casa, Vicente Amaro de Souza Neto (PDT). Ela acredita ter sido vítima de discriminação de gênero.

Apurando uma denúncia anônima de irregularidades no quadro de servidores da Câmara Municipal, encaminhada pela Ouvidoria, o Ministério Público realizou no mês passado uma diligência in loco no prédio do Poder Legislativo Municipal para verificar a estrutura física, a quantidade de salas disponíveis e os servidores presentes.

As denúncias, que ainda estão sendo apuradas, afirmam existir número exagerado de servidores, contratações desnecessárias e assessorias em desacordo com a legislação vigente. O MPE informou que também foi determinada a realização de diligências no Portal da Transparência da Câmara Municipal para obter a relação de servidores com vínculo com o Poder Legislativo.

A vereadora apresentou um pedido de informações sobre a relação de funcionários na Câmara, com carga horária, horário de trabalho, local e dias em que exercem suas funções, e ocupou a tribuna para explicar o requerimento e cobrou com veemência explicações do presidente. Neto reagiu, chegou a mandar a vereadora ‘calar a boca’, disse que ela “soltou a franga” e a chamou de ladra.

O Fórum Suprapartidário Mais Mulheres na Política fez uma carta de apoio e solidariedade à vereadora, o PSDB-Mulher e vereadores de Ribas do Rio Pardo fizeram uma nota de repúdio ao presidente da Câmara de Água Clara e a deputada Mara Caseiro (PSDB) ocupou a tribuna para repudiar a atitude de Neto.

Em entrevista ao Midiamax, a vereadora Gerolina afirmou que a Câmara Municipal precisa dar exemplo de transparência e disse acreditar que sofreu discriminação por ser mulher. O presidente da Câmara, Vicente Amaro de Souza Neto (PDT), não atendeu o telefone.

De acordo com a assessoria de imprensa do MPE-MS, a investigação continua em andamento na Promotoria de Justiça de Água Clara, sob o comando do promotor de Justiça substituto, Paulo Henrique Mendonca de Freitas.

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