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Com medo de desemprego, funcionários da JBS ocupam Assembleia

Deputados tentarão liminar para impedir paralisação da JBS

  • Ônibus fretados lotaram a Avenida Afonso Pena
  • Trabalhadores já chegam e ocupam a Assembleia
  • Funcionários temem desemprego, diz sindicato

​Em um protesto que durou três horas, centenas de funcionários da empresa JBS de Campo Grande desembarcaram em 40 ônibus fretados na Assembleia Legislativa durante a sessão desta quinta-feira (19). Com apitos, os trabalhadores reclamavam da ação movida pela CPI da JBS, que teve como efeito a paralisação das atividades das 8 plantas frigoríficas no Estado. Os parlamentares tentarão na Justiça uma liminar para impedir que a empresa pare de funcionar. 

A empresa, por sua vez, negou em nota, que tenha patrocinado a manifestação, mas afirmou que apoiava o protesto dos trabalhadores. Presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Carnes e Derivados de Campo Grande, Vilson Gregório informou que mais de 4 mil trabalhadores eram esperados no Parque dos Poderes em um megaprotesto para pressionar os deputados estaduais a encontrarem uma solução diante do anúncio de suspensão das atividades do grupo.

Desde cedo, os trabalhadores deixaram as duas unidades da Capital e seguiram em ônibus fretados para a Assembleia. De acordo com Gregório, nesta quarta-feira (18) foram abatidas as últimas cabeças de gado nas unidades de Campo Grande e todos temem a perda dos empregos.

Cerca de 40% da produção da empresa acontece no Estado. A suspensão travou o mercado de boi gordo, que é o quarto maior rebanho do país, também segundo o Grupo J&F.

Parlamentares

Desde o início da sessão, que começou com atraso por conta do apitaço, os deputados foram vaiados. Os parlamentares anunciaram que o presidente da Casa, o deputado Junior Mochi (PMDB) marcou a reunião com Marcelo Zanata, vice-presidente da JBS para a tarde desta quinta.

Antes mesmo da reunião, o deputado Pedro Kemp (PT) anunciou que a empresa teria dito aos integrantes da CPI da JBS que está à disposição para negociar uma saída e garantiu que não há suspensão dos salários. O juiz responsável pelo bloqueio de bens também já marcou a audiência de conciliação para a próxima segunda-feira (23).

Presidente da CPI, o deputado estadual Paulo Correa (PR) foi alvo de vaias dos trabalhadores. O parlamentar chegou a parar em frente ao público, com as mãos nas costas, para ouvir as vaias passivamente. Em seguida, o deputado dirigiu-se à tribuna, de onde falava o petista Pedro Kemp, que explicava que a Casa estava em diálogo com a empresa em busca de solução para o impasse.

Por volta das 12h30, ao fim da sessão, os cerca de 40 ônibus fretados seguiram para a Praça do Rádio Clube. De lá, eles seguem em carreata pela Avenida Afonso Pena, 14 de Julho, 13 de Maio e Dom Aquino, onde retornarão a se concentrar na Praça do Rádio. Os trabalhadores também avaliam se farão um acampamento na Assembleia. Na dispersão, um funcionário passou mal por queda de pressão, foi socorrido pelos Bombeiros e encaminhado ao Centro de Reabilitação e Saúde do Bairro Tiradentes.

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