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Após tatuagens solidárias, transplante em noite de Natal foi mais que presente

Motorista de ônibus Marciano Mainardi recebeu novo órgão na segunda

  • Mainardi e a esposa, Mônica, a caminho de Santa Catarina (Reprodução/Facebook)

O dia 25 de dezembro tem significados nobres nos lares do mundo inteiro, quando as famílias se recolhem para celebrar o nascimento de Jesus. Mas, para a família de Marciano Mainardi Queiroz, a data vai agregar um significado a mais: na última segunda-feira, Noite de Natal, ele finalmente conseguiu o órgão que lhe proporcionará retomar uma vida normal.

Marciano Mainardi é o motorista de ônibus que é portador de uma rara doença chamada colangite esclerosante primaria, que atinge entre 10 e 40 pessoas em um universo de um milhão. A doença promove inflamação no fígado, que gera cicatrizes e afeta o funcionamento do órgão, sendo o transplante a única solução.

Enquanto estava na fila, Mainardi contou com a ajuda de muitas pessoas, dentre elas o tatuador Jobson Salomão, do Estúdio Joby Tattoo. Amigo de infância, Jobson realizou uma promoção mais que especial, tatuou a R$ 30, com renda 100% revertida para que Mainardi conseguisse custear medicamentos e as diversas viagens que precisou realizar, ao lado da esposa, a fim de manter-se vivo até o órgão aparecer.

Mainardi e o amigo, o tatuador Jobson (Reprodução/Facebook)

Foi o próprio Jobson, por sinal, que alertou a reportagem para a novidade. "Ele foi operado às 20h da noite de Natal, conseguiu o transplante. Sem dúvidas foi um presente de Natal não só para ele, mas pra todo mundo. Em nome dele, eu agradeço a todas as pessoas que apostaram nessa ideia de ajudar", relatou Jobson.

O agradecimento, no caso, vai para as mais de 500 pessoas que aderiram à 'promoção solidária', proporcionando a Mainardi mais de R$ 14 mil, que possibilitaram a busca por tratamento enquanto o órgão não aparecia. Todo o dinheiro foi entregue ao motorista de ônibus, que também manteve uma Vakinha Virtual para quem quisesse contribuir com seu tratamento sem a necessidade de se tatuar.

Fila do transplante

Desde que descobriu a doença, durante um exame de sangue que revelou taxas muito alteradas no fígado, há pouco mais de um ano, Marciano enfrentou uma cruzada até receber o diagnóstico e a informação de que deveria se submeter ao transplante. Só que conseguir um órgão não acontece da noite para o dia.

Para tanto, Mainardi foi para Santa Catarina, onde há hospitais de referência em transplante. Foi lá onde surgiu um fígado, na semana passada, mas o motorista não pode recebê-lo por não estar lá. Só que um novo órgão surgiu na noite de ontem, de um jovem que falecera naquele dia.

Mainardi conseguiu o órgão e realizou o transplante na noite de Natal (Reprodução/Facebook)

Mainardi já saiu da cirurgia de transplante, que foi um sucesso, e passa bem. Como procedimento padrão, ele aguarda despertar dos sedativos na UTI (Unidade de Terapia Intensiva), de acordo com a família, que poderá visitá-lo a partir do meio dia de hoje.

"Agradeço a todos pelo carinho e amizade. Peço oração de todos pra que ele se recupere logo é também que todos orem pela família do doador, que estão sofrendo a perda deste jovem. Mesmo na dor, eles foram sensíveis ao problema dos outros e fomos agraciados com este órgão que vai mudar a vida do Mainardi. O que ele mais quer é viver uma nova vida e voltar a trabalhar", contou Mônica da Silva Cardoso, esposa de Mainardi, nas redes sociais.

Jobson também faz coro nos agradecimentos à família que concordou com a doação. "Também estamos muito gratos a eles. Mesmo na dor de terem perdido um ente querido, na perda de um filho, eles tiveram a bondade de deixá-lo viver em outras pessoas. Nós agradecemos a Deus, aos médicos, a todas as pessoas que de alguma forma ajudaram", diz.

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