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Suspeita de operar pirâmide, Minerworld atrasa pagamentos

Empresa é investigada pela Polícia Federal

A Minerworld, empresa que se autoproclama mineradora de bitcoins e é investigada Polícia Federal por suposta prática de pirâmide financeira, tem atrasado o pagamento de seus investidores. A empresa confirmou o problema. 
A organização alega que está passando por uma “migração e atualização do servidor, além de uma fork do bitcoin, o que ocasionou lentidão e suspensão dos depósitos”. A empresa ainda declarou que podem haver atrasos nos pagamentos e demais solicitações e não apresentou um prazo para pagar seus investidores. 
 
Apesar de descartar problemas financeiros, a Minerworld tem enfrentado uma chuva de reclamação de seus associados. Um investidor que prefere ter seu nome preservado, afirma que está sem receber há quase duas semanas, quando deveriam ser depositados os R$ 110, como parte do retorno dos R$ 595 aplicados quando entrou no negócio, em junho, a convite de um amigo.  

“Investi o mínimo por não saber do que realmente se travava, pois conhecia o Bitcoins apenas por nome”, explica. “Mudaram a data para pagamento duas vezes, pediram os dados da conta em uma reclamação que fiz nas redes sociais, mas não responderam depois disso”, diz. Ainda sem saber a legalidade da empresa, o investidor comentou que não sabe quais providências devem ser tomadas. 

Na semana passada, um investidor relatou situação semelhante, a diferença é em relação ao montante a ser pago, algo em torno de R$ 60 mil. O homem dizia que arriscou empregar mais de R$ 400 mil na suposta empresa, mesmo sem conhecimento de criptomoedas, com a expectativa de receber 100% de retorno.  Após algumas semanas em atraso, os valores teriam sido depositados na conta. O investidor não quis comentar o caso por medo de represálias.

No site Reclame Aqui, que reúne reclamações sobre atendimento, compra, venda, produtos e serviços, há pelo menos 13 mensagens de reprovação. O último comentário, datado desta segunda-feira (30), diz que os pagamentos ainda eram feitos dentro do prazo até duas semanas atrás, quando a transferência de saltos foi suspensa. “Quero solução imediata ou meu dinheiro de volta”, exige. 

O negócio atrai pessoas com a promessa de dobrar o valor investido um ano apenas com a mineração de bitcoins. Apesar de afirmar que a proeza é possível e rejeitar a acusação de operar de forma fraudulenta, os atrasos no pagamento, dificuldade de contato com os responsáveis e promessa de regularização costumam ser um dos principais indícios de esquema em pirâmide. 
 

Mineradora do Paraguai

O atraso não é apenas nos repasses a aqueles que investiram na suposta atividade. A construção da mineradora no Paraguai, prevista para ser inaugurada em outubro, também não foi entregue dentro do prazo, conforme declarado em reportagem do jornal Midiamax publicada no dia 17 de agosto, com previsão para dois meses.

Em nota, a empresa admite o retardo e informou que a obra está em fase de conclusão, “com cerca de 90% das instalações já finalizadas” e justificou que “apenas algumas estruturas de cabeamento de internet e instalações elétricas estão sendo adequadas para as operações”. Eles apresentaram um novo prazo e afirmam que em cerca de 45 dias o será realizada a inauguração do negócio. 

Operação ilegal no Brasil e Paraguai

Embora se intitule como uma empresa paraguaia e com atividades em território brasileiro, nenhum dos países confirmam a legalidade da empresa. Para atuar no Brasil, é imprescindível a inscrição em órgãos federais.

A empresa confirmou que não existem quaisquer inscrições da Minerworld nos órgãos fazendários brasileiros sob a alegação de estar constituída no Paraguai, e justificam ainda que são contratos firmados internacional, com foro estabelecido no país vizinho, mas as informações são contraditórias.

No contrato está descrito que o foro pertence a Campo Grande, ou seja, reclamar eventuais direitos derivados do contrato em determinado órgão jurisdicional brasileiro. Além disso, a STJ (Superior Tribunal de Justiça) concluiu em decisão recente que contratos internacionais que sejam executados Brasil estão sujeitos à competência da autoridade judiciária brasileira, ainda que as partes tenham pactuado a escolha do foro estrangeiro – quando as leis do outro país são válidas.

No mês passado, a Comissão Nacional de Valores (CNV) do Paraguai, órgão ligado ao Poder Executivo, negou, por meio de uma comunicação oficial divulgada em 3 de setembro, que a empresa Minerworld tenha sido habilitada para operar no país. A afirmação oficial vai de encontro ao divulgado pela empresa em suas redes sociais, no dia 29 de setembro.

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