Você está aqui

‘Não sei o que fazer’, dizem ex-funcionários da OMEP e Seleta sem pagamento

Prefeito admitiu que pode levar 5 meses para fazer os pagamentos

Enquanto a prefeitura da Capital elabora uma estratégia para arcar com todas as rescisões contratuais dos trabalhadores dispensados pela Omep (Organização Mundial para Educação Pré-Escolar) e Seleta (Seleta Sociedade Caritativa e Humanitária), os trabalhadores que já saíram esperam pelo pagamento sem ter ideia de como se manter até o recebimento.

O prefeito Marquinhos Trad (PSD) admitiu nesta sexta-feira (28) que o município não tem o dinheiro para efetuar o pagamento das rescisões. Diante da situação, o repasse da prefeitura pode levar até 5 meses para ser feito.

A situação já é difícil para Edna Mascaranhas e Silva, 36 anos, que trabalhou por 2 anos e 10 meses na área da limpeza. Ela, ex-funcionária da Seleta, conta que saiu no dia 28 de junho e está sem receber o salário até hoje. “Nem o salário do mês de junho e eu estou me virando como eu posso”, contou.

Ela vive com mais 3 filhos, um de 14 anos, uma de 13 e a caçula de 7, e conta que cuida deles sozinha, sem receber ajuda de familiares ou amigos. Sem a rescisão e o salário do último mês, a família passa por uma situação difícil. “Eu não tenho condições de comprar nada, minhas contas estão todas atrasadas e eu não sei mais o que nós vamos fazer”, desabafou.

Edna está trabalhando como diarista para tentar manter a família, mas conta que a situação é ainda pior porque a carteira de trabalho está retida na Semed (Secretaria Municipal de Educação), o que a impossibilita de buscar um emprego formal. A frequência de diárias é de vez por semana porque Edna explicou que falta dinheiro para comprar o passe de ônibus.

O dinheiro do pagamento, segundo a ex-funcionária, deveria cair nesta sexta-feira, o que não aconteceu. “Eu não sei o que eu vou fazer. Não consigo digerir tudo isso”, disse Edna sobre a possibilidade de esperar 5 meses para receber a rescisão.

Outra ex-funcionária da Seleta também está em uma situação complicada. Irene Bezerra de Diolindo, 46 anos, saiu no dia 6 de junho depois de trabalhar por 4 anos e 2 meses como educadora social. Recebeu apenas o salário de junho, mas não tem previsão de quando deve sair a rescisão. “Eu não sei o que fazer. Eu estou sem direção”, contou.

Irene explicou que vive com o marido e 6 filhos. As filhas mais velhas trabalham, mas o valor é para arcar com a faculdade delas. A situação se torna mais difícil porque o esposo passa por um tratamento de saúde sério e não pode trabalhar. “O problema é que meu marido tem problemas de saúde e está passando por um acompanhamento”, disse. Assim como a Edna, a carteira de trabalho de Irene também está retida.

 “A Seleta fala que é para gente ligar no gabinete do prefeito”, contou a ex-funcionária sobre o posicionamento da empresa quando questionada sobre a rescisão.

Na casa de Darlene Padilha Gonçalves, 24 anos, a situação ainda está sob controle devido a ajuda do marido. “O meu marido trabalha, graças a Deus, se não, eu estaria passando necessidade”, contou a trabalhadora que saiu no último dia 10 e que soma 2 anos e 11 meses como cozinheira pela Seleta.

Sem o pagamento do mês de julho e sem a rescisão, a ex-funcionária conta que vive com o marido, 2 filhos e está grávida de um mês. “É difícil você não saber o que vai fazer da sua vida, o que vai dar para os seus filhos”, contou a mãe de um filho de 6 anos e outra de 7.

Além de estar se a carteira de trabalho, Darlene conta que passa por uma gravidez de risco, o que a impossibilita de conseguir um emprego para ajudar nas despesas da casa. “No primeiro dia do meu pré-natal, o médico contou que minha pressão estava alta, mas não tem como ficar com a pressão baixa quando você não sabe de onde vai tirar dinheiro para pagar as contas ”, disse.

 

Falta de dinheiro

Nesta sexta-feira (28), prazo final para concluir as demissões dos contratados por meio dos convênios com a Omep e Seleta, o prefeito de Campo Grande, Marquinhos Trad (PSD) admitiu que a Prefeitura não tem dinheiro suficiente para pagar todas as rescisões contratuais. A previsão é de que os pagamentos sejam concluídos em até cinco meses.

"Tentamos de todas as maneiras, mas não temos todo o dinheiro. Estamos pagando algumas das rescisões. Cada caso será analisado individualmente, mas alguns podem levar entre quatro e cinco meses", afirmou.

Apesar da estimativa para conclusão do pagamento, a Justiça estabelece que as rescisões sejam pagas em até 10 dias após o fim do contrato.

De acordo com o prefeito, existe a negociação do município entre Ministério Público do Trabalho e o Tribunal Regional do Trabalho devido a falta de dinheiro. Marquinhos Trad explicou ainda que as rescisões menores devem ser pagas enquanto as maiores devem ser parceladas. 

Presidente do Senalba-MS (Sindicato dos Empregados em Entidades Culturais, Recreativas, de Assistência Social, de Orientação e Formação Profissional do Estado, Maria Joana Barreto Pereira, afirmou ao Jornal Midiamax que dos 4,3 mil demitidos, mais de dois mil aguardam pelo pagamento das rescisões. 

De acordo com a presidente do Sindicado ao menos mil trabalhadores já deveriam ter recebido. Devido a situação, o sindicato afirmou que deve entrar na Justiça. 

 

Décimo terceiro salário

Além da falta de recursos para quitar as rescisões dos contratados, o prefeito afirma que não tem dinheiro suficiente para cobrir a folha de pagamento do décimo terceiro salário, pago até dezembro.

"Ainda não consegui, estamos organizando. Precisamos poupar. Se eu tivesse essa economia eu pagaria a rescisão deles, eu não ia segurar para 13º, sabendo que as pessoas precisariam de dinheiro agora", explicou.

 

Tópicos