Constructo

Se crio, mentalmente, teorias, se mergulho no universo da poesia, se planejo um dia, umas férias, uma alquimia...

Se, alada, dou rasantes na multidão, pairo, contamino-me com o mundo doente, sinto as dores, todas, mais pesadas que as carnais, tenho a alma craquelada, estou nas filas dos carentes, na humilhação dos miseráveis, na sofreguidão dos famintos, na ignorância que desconstrói, no oportunismo que destrói, na apatia que entristece, na dependência que limita, na solidão de um domingo a tarde, na proteção ilusória de uma grade, no sonho que reanima. Se preconizo  a autodefesa de massa, se não aceito o êxodo intelectual, se assimilo a banalidade da vida, se a minha plumagem de letras sustentar minhas intenções, se meu voo suportar as mazelas, seu eu for capaz de juntar as quirelas, se eu suportar o golpe, se eu, louca pelas levezas, enfrentar as asperezas, se eu conseguir sobrepor a ingratidão, se eu, com minhas migalhas, conseguir ajudar a minha nação, se eu induzir à consciência aos desvalidos, se em mim permanecer a esperança, se na minha lente o registro de uma lembrança afagar o que há em mim de criança, se eu contribuir,  se com a língua das minhas asas eu lamber os rostos sofridos e suavemente enxugar as lágrimas, saborear o sal, encantar os olhos que me leem, se eu abraçar todas as pessoas, se eu doar ao mundo o meu sorriso à toa, se eu conseguir explicitar que a minha vaidade é ornamentar-me com a jóia da  simplicidade e se os meus embasamentos empíricos sustentarem os meus textos, se eu seguir me escancarando, do avesso, se as palavras me definirem, se o amor e o medo permitirem os meus rasantes literários....seguirei a praticar o meu constructo.

Se eu conseguir parar de pairar sobre o mundo que me inquieta, seria esse constructo a pausa que eu preciso para debruçar-me na produção de mais dois livros em construção.

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